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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Repolho - E a Horta da Alegria (1994)

Nome: REPOLHO
Título: E a Horta da Alegria
Ano: 1994
Cidade: Chapecó
Estado: SC
Detalhes da Produção:

  • Produzida pela banda Repolho.
  • Aparelhagem: Jacksom
  • Capa: Roberto e Girino
  • Logotipo: Cleandro Tombini
  • Arte Final: Jivago / By System

Formação: Roberto (vocal), Girino (baixo), Passarinho (bateria) e Demétrio (guitarra).
Origem da demo-tape: Coleção particular (Edson Luís - Jaraguá do Sul-SC)
Mais informações: Myspace, Tumblr, Wikipedia, Trama Virtual




01. Deixa Falar (02:23)
02. O Jegue (XR3 e Conversível) (01:51)
03. Lover Caos (02:40)
04. Lasanha (02:04)
05. Juvenal (02:43)
06. Fuca Azul-Calcinha (02:44)
07. Chapecó (03:06)
08. Maria Gasolina (02:14)
09. Porcona (03:28)
10. Rock 701 (02:32)
11. Croquete de Batata (01:43)
12. Índio Condá (02:20)

Tempo total: (29:55)

Tamanho do Arquivo: 47,8 MB (12 músicas [192 kbps] + 2 imagens)

Download









Se você acha o Repolho ruim. É porque você nunca ouviu “Repolho e a Horta da Alegria”…

Essa é pra acabar com o coro dos contentes. A demo foi gravada em 1994 e acabou sendo a principal fonte de divulgação da banda. Poderia dizer até mais, foi a demo que tornou o Repolho conhecido pelo Brasil no meio alternativo e especializado (onde a demo chegou – público e crítica). Saiu das nossas mãos mais de duas mil fitas. Todas gravadas uma a uma, a capinha impressa colorida, recortada, colada, etiquetada, manualmente… Era engraçado, porque estávamos em um tempo de fanzines e mídia alternativas. Nos correspondíamos com pessoas do Brasil inteiro que eram interessadas em algo que fosse diferente daquilo que rolava no monopólio midiático. Recentemente fui questionado sobre isso. Como que vocês faziam para divulgar a banda e os shows sem internete??? A resposta é simples. Sempre existiu a dúvida e curiosidade pelo conhecimento. Em cada época as pessoas se proporcionavam formas diferentes de chegar até o interesse. Mais do que isso a gente tocava mais e vendia muitas fitas. As pessoas valorizavam esse tipo de ato. De adquirir uma demo (posteriormente em cd) para ouvir a banda que gostava. Mas nada contra a pirataria, porque mesmo nessa época era comum pessoas dizer que não tinham a fita “original” mas sim, uma cópia em fita cassete. O objetivo era divulgação do trabalho e A Horta da Alegria circulou de verdade. Pensando que a cada demo original saiam no mínimo 3 cópias… da pra ter uma idéia de como a coisa toda circulou.

A demo “Repolho e a Horta da Alegria” nunca havia sido divulgada na internete, isso porque este que vos escreve, e que tem as gravações originais, nunca gostou muito da demo. Tem a questão romântica e a importância estética do momento. Já me passou pela cabeça a possibilidade desgravar acidentalmente, mas sabe como é né. O filho é feio, mas e teu (E põe feio nisso). Mas sempre tive essa preocupação com o registro, com o retrato do momento. E em minha opinião essa demo é um retrato desse momento.

A escolha do nome.

O nome “…e a Horta da Alegria” surgiu de uma brincadeira. Achávamos que tinha que ter um nome relacionado ao interior, a colonagem… enfim essas coisas que pertenciam ao nosso universo. Brincávamos e ainda brincamos muito com isso. Não me lembro quem que deu a idéia. Mas Repolho e a Horta da Alegria, soava bem e pareceu mais adequado. Lembrava bandas da jovem guarda… e tinha essa coisa do humor que sempre foi presente na banda. Hora de maneira mais ingênua e infantil, hora mais acida e corrosiva. Como bom tiradores de sarro, e isso sempre foi presente, muito mais do que rir dos outros, riamos de nós mesmos, brincávamos com trocadilhos. “Repolho e a Porta da Maria”, “Repolho e a Porca da tua Tia”, “Repolho e a Morta na Folia”, “Repolho e a Orca na Bacia” e por aí vai. Se resolver fazer algum trocadilho besta mande pra gente enriquecer esse universo idiota.

As gravações.

A brincadeira era a seguinte. O Girino recém tinha voltado pra banda. (O Girino sempre ia e vinha, essa volta foi logo depois do Emilio e Mauro) e precisávamos registrar uma demo com uma qualidade maior que a primeira (Chapô a Galeria que era um ensaio gravado me vídeo e o áudio extraído desse vídeo). A segunda tinha que evoluir um pouco. Contratamos os serviços de Jack-som. Um parceiro amigo nosso que colocava sonorização nos show. Retiramos todos os móveis da sala onde eu e meu irmão (Demétrio) morávamos. Uma casa de madeira nos fundos da casa da minha Vó. Montamos o equipamento ali e resolvemos numa tarde ensolarada de 1994 (mais precisamente no dia 13.08) e fazer um registro da banda em fita Basf Chromo. E as histórias são muitas. O Jack, segundo o que dizem é surdo de um ouvido. E a explicação do Bays é que ele carregou tanta caixa de som no lombo que a serragem que sai da caixa entrou no ouvido e deixou ele meio surdo, enfim brincadeiras a parte. Ele era a referência de som que se tinha na época e lá fomos nós empolgados com a possibilidade de gravar as músicas. Essas gravações podem ser consideradas um marco na historia da banda. Como já citei acima, teve uma grande importância na divulgação, mas também foi a primeira briga feia que tivemos na banda. Quase acabou a banda ali, naquele momento. E foi mais ou menos assim. Eu que não bebo (não bebia na época e hoje nem coca-cola mais) estava tentando me concentrar para entender o que tinha que ser feito. O Anderson e o Demétrio compraram 3 engradados de cerveja pra gravação. Já não concordava com isso em ensaios e shows, quem dirá num momento que estávamos pagando caro pro Jack (um cachorro quente e uma pépis), e que registraríamos para posteridade toda pujança da banda. Lógico que essa é minha versão e consequentemente a certa, porque eles estavam bêbedos. E bêbedo sabe como e né. Enfim… no final de uma musica (no meio das gravações e todo mundo sabe que fita chromo não pode ser gravada duas vezes por cima) o Anderson chegou cair da bateria te tão tchuco. Enquanto eu discutia com ele o Demetrio se meteu e resolveu defender a classe. Enquanto eu discutia com o Demetrio o Anderson levantou e foi buscar outra cerveja. Foi a cerveja d’agua. Agarrei a garrafa agressivamente. Peguei em minhas mãos… e numa cena Renata Leonardo Pereira Sochaczewski popularmente conhecida como Renata Sorrah interpretando Heleninha Roitman Em Vale Tudo, consegui ser mais chato e bêbado que os bêbedos. Arremessei a garrafa em direção ao nada. A garrafa fez o mesmo percurso do osso no filme “2001 – uma odisséia na colônia espacial” em tradução feita exclusivamente para ser lançado em Chapecó na época. A garrafa subiu aos céus e foi eliminada por um corte. Uma coisa primal e diria desnecessária (olhando hoje). Mas que gerou uma elipse temporal que ninguém se lembra direito. As gravações foram interrompidas. Um foi pra um lado e outro foi para o outro. Depois disso o que eu me lembro é que estávamos algumas horas depois de volta a sala de gravações refeitos do susto e gravando esse belíssimo repertório repolhístico. Foram registradas na época 22 canções. 12 delas foram parar na fita preenchendo somente um lado. O outro disponibilizávamos de graça pra quem comprasse a fita, para gravar o que quisesse.

Ainda sobre a briga. O Girino que tinha levado o irmãozinho dele pra ver o ensaio ficou de cara porque a violência toda chocou o moleque que ficou traumatizado. Ele tentava explicar pro menino que os tios da banda não eram tão mal assim. A minha vó aproveitou pra colocar a culpa no Jack que “ouviu” poucas e boa. Ela reclamava e xingava o Jack dizendo que a culpa era dele, porque onde já se viu ficar trazendo aquela parafernália ali só pra fazer folia. Alegando que se não fosse por ele a banda não teria brigado. Minha vó já era adepta de teoria do caos.